A Caixa de Borboletas

Há quase 30 dias para a festividade simbólica do nascimento de Cristo, me pergunto: “ que projetos irei colocar na manjedoura, para que sejam nutridos pela luz espiritual, e possam assim florescer para o novo ano de 2023?”


O ano de 2022 revelou para mim que estar agrupado significa construir um recipiente para a manifestação de algo que quer se revelar no mundo! A comunidade é como uma mãe que gesta uma revelação, e que todos juntos devemos tornar essa pulsão de vida possível.

Alinhar o pensar, o sentir e o querer são os maiores desafios de um grupo, pois entre visão, propósito e prática, iremos confrontar nossa capacidade para perceber o outro e vencer o desafio de sairmos de um pensamento que está sempre direcionado para nós mesmos, para tecer junto com o pensamento do outro.

Assumir uma iniciativa em comunidade é aceitar que nosso ideal provavelmente nunca será realizado, pois cada um que está ali conosco, traz consigo algo escondido em seu coração e que busca um caminho de expressão. Disto surge a compreensão de que estamos agrupados porque temos a visão de algo que certamente, nunca poderíamos realizar sozinhos, pois só juntos poderíamos torná-lo possível.

A meta é ir ao encontro da necessidade da vida e da Terra (daquela entidade que deseja se revelar), através do grande esforço de direcionar nossa consciência para fora, sendo esse um grande exercício de transformação interior, uma vez que por hábito, sempre contemplamos a nós mesmos.

A entidade gestada, surge como uma chama central de uma grande fogueira, nutrida e originária da diversidade de madeiras, ou seja, o ideário dos próprios integrantes do grupo, agora, já prontos para o serviço.


A formação de comunidades e grupos para o desenvolvimento do pensamento, resulta em desafios `a nossa personalidade, pois as características sombrias e destrutivas de nossa alma serão contempladas e reconhecidas como forças antissociais, favorecendo uma autoconsciência mais genuína. O outro funciona como espelho refletor, e uma vez vivenciada essa experiência com gratidão, poderemos abrir espaços para o amor e fraternidade. A constatação da enorme diferença entre as pessoas deve antes resultar num maravilhamento perante o mundo!

Estar agrupado é lutar para realizar destinos mútuos, através da revelação e reconhecimento das próprias debilidades ou grandes potenciais.


Tudo é movimento!...assim como um bando de pássaros no céu revelam a alma coletiva, a formação e sustentação de iniciativas grupais torna-se um novo "sacramento".

Para Christopher Schoefer, autor de quem esse texto foi inspirado, as organizações e agrupamentos que não se reconhecem com a mobilidade necessária para permitir a revelação da entidade que busca expressão em seu meio, é como uma “caixa de borboletas”, um esquife social, que não permite a oportunidade de transformação e liberdade de seus integrantes.


...voltando a manjedoura do Natal, coloco lá meu sonho de comunidades onde a Terapia Floral possa ser nutrida de uma interlocução fraterna e rica, onde seus integrantes encontrem em seus grupos um espaço de transformação interior, de cura e encontro verdadeiro com seu propósito maior.

Feliz Natal!!!


Tereza Guimarães

Natal de 2022

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